TUMULTO NO DESEMBARQUE DO GRÊMIO NO AEROPORTO SALGADO FILHO








O tumulto no desembarque do Grêmio no aeroporto Salgado Filho, às 23h30min deste domingo, ocasionado por alguns torcedores foi severamente criticado pela mídia local, portanto, algumas considerações. Embora não hajam desavisados, o cenário era o seguinte: com os resultados paralelos nos outros jogos, qualquer placar que não indicasse a vitória do flamengo, sagraria o Internacional como campeão do Brasileirão 2009. O resultado é o que foi visto “AO VIVO”, por milhões de pessoas no mundo todo, um 2 a 1 que deu a taça para o time rubro negro, no entanto, o titulo foi sofrido, pois o Grêmio apertou e apesar de apresentar um time reserva, garotos como Mário Fernandes, Adilson e Douglas Costa, de bom desempenho na partida quase frustraram as expectativas previstas.
                                               
Quanto ao ato dos cerca de 10 torcedores que cobraram e proferiram palavrões aos jogadores, não entrarei no mérito, por certo não é a atitude mais civilizada mas, há de se compreender  também a força de uma paixão. A Tonica do episódio esta no fato, que o que estava em jogo, não era o desejo financeiro, ético ou profissional, mas sim, a vontade da torcida. É claro que não se espera que o Presidente, Técnico ou qualquer que seja a autoridade esportiva responsável, entrasse no vestiário, reunindo o grupo de jogadores para ordenar a entrega do jogo, nem mesmo é exigível, um discurso no sentido de amolecer. Nada disso é necessário, porque todos, em todos os lugares, sabiam a vontade da torcida, estava estampada nas reportagens, blogs, enquetes, nas ruas e principalmente escancarada na rivalidade Gre-nal, dar um Campeonato ao Inter que ele espera a 30 anos, foge a lógica, a mesma que permite a existência dos dois clubes.


O que vimos, portanto, foi uma prévia, uma demonstração, do que aconteceria se o grêmio viesse a Porto Alegre com outro resultado, as conseqüências seriam catastróficas, e inevitável séria o tumulto generalizado, cujo rumo seria imprevisível ao mesmo tempo que esperado.  Isso porque, mesmo o Grêmio sendo uma “associação de prática desportiva” [1], devidamente regulamentada e “licenciada” [2], que paga impostos e se subordina aos regulamentos nacionais e internacionais, que desde 1940, age em caráter profissional deixando o amadorismo que lhe deu origem, não é suficiente, para afastar a condição de que o Grêmio, não tem dono, é de todos, de sua torcida. Apesar dos aparatos legais que permitem sua existência, os dirigentes são como os políticos para os cidadãos, meros representantes, embora não funcione bem na política, o mesmo não se espera para o futebol, pois reside no esporte uma paixão que não é vista na governança. O sentimento em pauta, reside de um movimento secular, atravessou gerações e se confunde com a própria cultura do lugar.


Que fique a lição do ocorrido domingo no aeroporto, um alerta para que ninguém esqueça, a vontade do Grêmio é o desejo de seu torcedor, ao qual sem ele, nem sequer existiria, o Grêmio não se matem só, desde o surgimento é movido por uma fora motriz que esta fora das quatro linhas, para que não fiquemos apenas com lembranças ruins, percebamos que em 2009, o Grêmio que praticamente não ganhou fora, foi o mesmo que passou o ano inteiro invicto no Olímpico, e por obvio que não foi pela qualidade dos gramados, mas sim, o impulso de almas apaixonadas que transformaram o time em imbatível ao jogar em casa. Mas principalmente aprendemos que em momentos de duvidas, a opção seja sempre a mais simples, a vontade de sua torcida, a vontade do povo. Bem cabe a lembrança da boa sabedoria popular ritmada em canto: “O Grêmio é da torcida, É de sua gente! Não é da imprensa, Nem dos dirigentes”.


09/12/09





[1] Artigo 1° do estatuto do Grêmio -  O  GRÊMIO  FOOT-BALL  PORTO ALEGRENSE,  neste Estatuto  denominado GRÊMIO,  fundado  em  15  de setembro de 1903 na cidade de Porto Alegre, Estado do Rio Grande do Sul, onde tem sede e foro, no Largo Patrono Fernando Kroeff nº 1, é uma associação de prática desportiva, sem  finalidade econômica ou  lucrativa, com  personalidade  jurídica  distinta  da  dos  seus  associados,  que  não respondem,  direta  ou  indiretamente,  nem  subsidiariamente,  pelas pelas obrigações por ela contraídas.
[2] Licenciamento é um mecanismo legal pelo qual se autoriza e cede-se o direito de utilização de uma marca/imagem para reprodução e exploração comercial. Existe o conceito de que a marca é uma " propriedade". Assim, ela tem um dono (o Clube), que tem por direito auferir resultado com sua marca.




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